domingo, 28 de outubro de 2012

Festa da vida


Grande o homem é em reconstrução
Tijolos e massas em emoções decaídas
Reverberando na alma o som de uma tristeza indecente

A calma já não me pertence
Nem o desespero me assola
Em estado sem sentido, sem conceito
Sem a definição de uma construção
Pois as mãos suam quando surge a necessidade de definir-me
E os domingos suicidas parecem começar a fazer sentido
Aos olhos pobres do homem ainda cheio de vida
E ainda há muita vida pelos ares externos à minha caixa de aflição

Há muita vida para desistir da vida
Pois a vida, assim como o coração do poeta
É sem definição e sem possibilidade de mensuração
A vida é sempre enorme e é vida, ainda que pouca.

-Paulinho Tamer
27.10.2012

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Verdade Primeira

Investigo-me a consciência.

Livra-me do amanhecer, noite das dúvidas.

Reforma-me em sons agudos e timbres harmoniosos.

Ah, dúvida dos homens,

Construam homens sem dúvidas.


Questionar-me em minha guerra

É realizar-me de paz e verdade

E encher-me do terror do conhecimento.

Conhecer dá medo,

Mais medo é não conhecer o medo.


Paz ou guerra?

Escolho ambas como minha cama.

Estar em paz por conhecer,

Estar em guerra com o revelado.


E assim me sinto em campo,

Em uma paz em estado permanente

E uma guerra em estado latente.

A guerra dos homens é não conhecer,

A paz do espírito é não conhecer a ignorância,

Apenas a calmaria da verdade.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A falta da pele

Os versos mentirosos contaram ser a tristeza coisa triste

Mal sabia os poetas charlatões

Que a saudade é tristeza pior que a tristeza

É mal pior que a doença


Me assombras a falta de forma peculiar

Em um aperto no ventre

Em um pensamento pragmático

E um delírio das razões


Benzinho, as noites sem ti nem noite são

Me fazes falta o toque

O olho

A mente

A maneira

E o beijo


As noites sem ti são, no máximo, só noites

Sem tantas alegrias

Com quase nenhuma vontade.

Despidas de desejo

E pobres de festa


A saudade é bactéria

Contamina-me de tristeza

De vontade do que não posso

De saudade das tuas posses

Das tuas ordens

Das tuas vontades fúteis de segurar minha mão


Eu mal consigo pensar

Sou ralo em inspirações

Raso em poesia

És o fermento da minha criatividade

Os versos que componho em pura exaltação do amor


És o amor em si

Por isso amo o amor

És a presença

Por isso não vivo sem está


És meu infinito que busca o seu começo

És um começo já dado, mas que pressente a sua verdadeira largada

Começaste breve, em oito dias

Retumbaste grave em um ano

E reverberarás por toda a minha vida.

sábado, 8 de outubro de 2011

Homem, Mundo

Ah, Deus

Me orgulho dos vastos céus sem azul

Dos mares agitados e sem piedade

Das terras chacoalhantes e indignas


Me orgulham também as flores mansas e inocentes

O asfalto negro e resignado

As arvores que questão nenhuma fazem de se mexer


Assim me regozija a paixão

Sem calma nem paciência

Sem imagem nem decência


Da mesma forma o amor

Paciente e desprendido

Sem avidez nem possessão

Lento e etéreo como os ventos


Somos seres como a natureza

Violentos e pacíficos

Ingratos e agradecidos

Subjugados a dor e a alegria

Eivados por esperança e desespero.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Versos em Luz

Na solidão temporária
Avalio cada pedaço da minha dor
Derramada em lamento
Esperando pelo céu que se enegrece
Tornar-se mais uma vez claro

Observo como o Sol
Lentamente banha o mundo de um calor suado e confortável
Imaginando um conforto e sonolência
Tão necessários à pacificação do meu espírito
Quanto o sangue é necessário ao corpo

E a minha natureza se desfaz
Em pedaços miúdos caídos ao chão
Me separando de mim mesmo
Permitindo a cada pedaço da minha dor
Pensar por si só

Esbravejo pelo meu despedaçar
Grito de dor sufocado
Sem hálito e respiração
Sem bocas abertas ou cabeças baixas
Apenas olhos molhados
E coração encharcado de saudade

Que a razão me invada e me reconstrua
Em minúsculos pedaços de fé
Em inúmeras partes de esperança
E em infinitas partes de amor.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Versos de Clara

Fácil falar do amor em dor

Em pêsame

Em perda

Em separação


Mas teu amor em mim

Se mostrou mais que tudo

Mais que um dom

Mais que uma memória

Mais que um professor


Caminhando pela seara do meu desconhecido

Contemplo minha razão

Meu troféu solitário

Em completa balburdia

Em decomposição


Substituíste meu frio pensar

Pela alegria dolorida da emoção

Pelo amanhecer do meu amor por ti


Ainda inclino a cabeça para ver-te

Como o lobo que se curva para ouvir o vento

Freando meu pensar

E dando força ao gatilho do que me infesta

Ao refeitório lúcido do meu amor


És minha refeição

Meu pão diário

Aquilo que não pode me faltar

O incisivo golpe que cega

E a soberana ordem que dá vida


És o nascer e o renascer meu

O intuitivo modo de abrir os olhos

O involuntário ato de respirar


És um verso claro

Límpido e transparente

Que parte de mim

Da minha boca

Das minhas letras

E toma o mundo com a autoridade da tua beleza


Ah, meu bem

Te vejo como a flor

Que não padece sob o outono criminoso

Te vejo como a morte de todo ímpio

Como a extirpação de toda a minha iniqüidade


Me permites equilíbrio,

Sobriedade e felicidade

És meu começo e minha metade

Minha fartura e minha falta

Minha luz e meu pensar


És o beijo do vento em meu rosto

Meu amor em paz composto

Minha fatia de divindade

Teu amor por mim me invade

Me toma e me agracia

Me permite o sacrifício dos meus erros

E a premiação dos meus acertos


É o coração jovem que bate ruborizado

Em plena atividade de vida

O organismo que nunca padece


És parte mulher e parte inverno

Parte menina e parte calor

Parte de mim e parte de tudo

Pois parte de mim para ti

Meu amor, meus versos, meu mundo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Tua cor marrom

Estupefato em necessidade

Assim me acho

Perdendo-me em ti

Nas tuas falanges de alegrias

Nas tuas guerras de lagrimas


O alibe do teu sofrimento

Por vezes é meus olhos mansos

Em calmaria profunda

Contemplando-te em indecisão


Ah, meu bem,

Essa tua cor marrom

Esse teu corpo febril

São as marcas da tua humanidade

Daquela que mesmo em fúria não perdes


Tens a peçonha do ser humano

Sem perder a santidade da carne


És o pão que nunca me pode faltar

O resto de homem que ainda possuo


O branco dos teus olhos

Escondido atrás do teu negro olhar

São a hipnose do meu observar


E assim sigo a vida

Em ti

Em mim

No mundo


No mundo cruel e perfeito que vivemos

Na vida mansa e infinita que fazemos

No amor imperfeito que forjamos

E banhado no pecado dos corpos.