terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Dança da Fuga


Quando todos os âmagos parecem triturados,
Reluzindo sua dor em tom âmbar.
E todas as almas em uma dança de fuga,
Temendo a paixão de qualquer coisa.

Quando os infinitos se cortam em um som seco,
As paralelas se desmontam em som doce
E as flores desabrocham na doçura das tuas curtas e retidas palavras.

Quando o tempo esfria pelo mistério dos teus olhos quando se ausentam,
Os pisos perdem o polimento com a tua partida
E os perigos que causas cessam e a vida pacata volta a sua solidão.

Quando as vigas da edificação da razão perdem a razão com a tua vergonha
E o teu rosto inteiro se abre em sorriso que assombra a mais bela das melancolias.

Aí, coisa linda!
O mundo passa a temer a sua própria tristeza.
O ar enobrece e o alento primário dos homens parece valer a pena.
Os corações se entregam em derrame de honestidade.
As mãos imediatamente se procuram.
Olhos em perseguição.
A vida parece, mais uma vez, ser possível.

Paulinho Tamer
05/12/2012

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